PoR UM FiO
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Preços atualizados há 7 horas
Sobre o evento
"Por um fio", novo espetáculo cênico-musical da artista pernambucana MAJU, estreia no Recife propondo uma experiência em que música, poesia, teatro, dança, performance e interpretação em Libras se entrelaçam na construção de uma obra profundamente sensível sobre a coragem de continuar. Quanto pesa um corpo sustentado apenas por um fio? O que ainda nos mantém de pé quando a vida parece caminhar sobre o limite entre a queda e a permanência? O espetáculo é sobre esse território de instabilidade, onde o desequilíbrio deixa de ser ameaça para se tornar linguagem.
"Por um fio" convida o público a atravessar uma experiência em que arte e existência caminham juntas. Ao longo de cerca de 90 minutos, MAJU conduz a plateia por um picadeiro simbólico onde um corpo insiste em permanecer vivo diante da iminência da queda. A imagem do fio, delicado, quase invisível e, ao mesmo tempo, capaz de sustentar uma travessia inteira, atravessa toda a dramaturgia como metáfora daquilo que nos prende à vida.
"Um único fio é capaz de sustentar uma queda? Do que é feito o fio que nos ata à vida? Qual o fio que desata a morte?" As perguntas não procuram respostas definitivas. Tornam-se matéria cênica para investigar memória, ausência, sobrevivência e transformação, construindo uma poética em que cair e permanecer deixam de ser movimentos opostos para se tornar partes de uma mesma travessia.
A dramaturgia se organiza em três movimentos que acompanham o ciclo da noite ao amanhecer. No primeiro ato, "Despedida/noite", instala-se um território de instabilidade, onde a ausência começa a corroer as estruturas daquilo que parecia sustentar a existência. O corpo permanece exposto ao risco, tentando manter-se de pé entre ruínas afetivas e simbólicas.
No segundo movimento, "Delírio/madrugada", a travessia se aprofunda. A casa se confunde com o próprio corpo, que dança suas ruínas enquanto experimenta outras formas de existir. A queda deixa de representar apenas ameaça e passa a constituir linguagem, abrindo espaço para a invenção de novas possibilidades de presença.
É no terceiro ato, "Consagração/amanhecer", que a paisagem se ilumina. Surge o fogo como força transformadora, símbolo daquilo que resiste mesmo depois da devastação. Entre canções, poemas e ações performativas nasce "Nossa Senhora do Fogo", figura mítica criada por MAJU como guardiã do que ainda arde e padroeira das que sobreviveram a si mesmas. Não é uma personagem religiosa, mas uma poderosa imagem poética da permanência, da reinvenção e da vida que insiste em florescer mesmo depois da travessia.
MAJU é artista, poeta, cantora, compositora e pesquisadora do corpo. Desenvolve uma produção que atravessa música, poesia, dança, teatro e performance, investigando as relações entre memória, presença e invenção. Autora do livro "Voar é a ordem", da Editora Patuá, e do single "O dia que descobri o meu lado do rio", a artista estreou em 2026 como diretora teatral com o monólogo "Vózes" e vem consolidando uma trajetória marcada pelo diálogo entre diferentes linguagens artísticas. Desde 2022, participa de festivais como o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), Festival Pernambuco Meu País e Festival Palavra Cifrada, além de idealizar projetos colaborativos como o "Rua Sem Saída", espaço de criação e encontro entre artistas no Recife.
Essa trajetória converge em "Por um fio", obra que sintetiza anos de investigação sobre voz, corpo, palavra e presença cênica. Mais do que um espetáculo, a criação propõe um encontro entre artistas e público para compartilhar uma pergunta que atravessa toda a experiência humana: o que nos sustenta quando tudo parece prestes a cair? A resposta não chega em forma de discurso, mas na delicadeza da música, na potência da poesia, na força do corpo em cena e na beleza de reconhecer que, talvez, viver seja exatamente aprender a equilibrar-se sobre aquilo que parece mínimo. Afinal, como afirma a própria obra, "quase, em arte, é tudo o que existe".
FICHA TÉCNICA:
Criação, direção e interpretação: MAJU Cavalcanti
Violoncelo: Rodrigo Prado
Percussão e Loop Station: Aishá Lourenço
Violão e experimentações vocais: Marcelo Campello
Participações: Lara Falcão, Rafaela Ornelles, Elis, Anderson Andrade,Lua, Nathália Tenório, Bela Severi, Alefe Passarin, Bruna Pedrosa, Bárbara Melo, Larissa Veloso.
Iluminação: Joãozinho Nascimento Luz
Som: Sammy Barros
Fotografia: Deveraldo Barros
Locação das fotografias: Brejão, Agreste de Pernambuco
Captação de vídeo: Nathália Tenório
Figurino: MAJU Cavalcanti, Betania Cavalcanti e Sophia Cavalcanti
Cenografia: Bárbara Melo
Designer: Bárbara Melo
Preparação Corporal: Bela Severi
Assessoria de imprensa: Andréa Almeida (Alcateia Comunicação e Cultura)